sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Não pode e nem deve ser considerado problema...

Pode parecer loucura mas, tenho que agradecer Deus por ter feito eu passar por cinco cirurgias para correção de uma deformidade óssea na minha perna direita...
Passei pelas mais diversas situações durante as cirurgias que por incrível que pareça, só me fizeram crescer (na minha forma de pensar, de enxergar o mundo)... Deixei de ser pelo menos um pouco aquela menina mimada, frescurenta...

Essas cirurgias aconteceram nos anos de 2005 (julho até outubro) e 2006 (janeiro até junho), foram cirurgias complicadas, coloquei aparelhos (pinos) na perna (o 1º foi só no fêmur, já o 2º foi na perna inteira) no qual, a cada algumas horas tinha que dar um tanto de volta para espaçar o osso (sim, meu osso foi quebrado para isso) e, ainda na 1ª cirurgia, eu ia para escola normal...

O ano mais complicado da minha vida, foi o ano de 2005 mas, não me arrependo de nada, se precisasse, faria tudo de novo!!! Pois, foi o ano que me fez acordar um pouco para a vida e perceber que nenhuma situação é tão difícil, quando temos força de vontade, objetivo e foco...

2005: 1 mês antes da minha cirurgia, perdi uma pessoa muiiiitttttoooo importante da minha vida, minha vó, que tenho muiiiiittttttaaaa saudade mas, um pensamento que me conforta é saber que hoje, ela está em um lugar bem melhor e, que tenho certeza que aonde quer que ela esteja, está cuidando de mim... mas, continuando... 15 dias antes da minha cirurgia, minha mãe voltou a trabalhar, conclusão: dai pra frente até na minha 2ª cirurgia, eu só tinha meu vô p/ me ajudar, não que ele não me ajudou, pelo contrário mas, a falta que minha vó fazia, ainda mais por seu falecimento ter sido tão recente, era tão grande que, não tem número que posso especificar o tanto que ela fazia e ainda faz falta... mas, enfim... retirei o aperelho em outubro e, tenho pra mim que foi o melhor presente que minha mãe recebeu de aniversário até hoje.... Durante o tempo que fiquei com o aparelho, tive que fazer sessões de fisioterapia mas, as sessões mais intensas foram após a retirada do aparelho, que foram de outubro até janeiro de 2006...

2006: Nem pude aproveitar as férias de janeiro pois, logo nas primeiras semanas do mês eu coloquei o aparelho na perna inteira, assim permanecendo com o mesmo até junho... Sim, fiquei um semestre inteiro longe da escola... Vocês devem estar pensando: "Nossa!!! Que sorte!!!" mas, não é sorte nenhuma ficar longe da escola, dos amigos, da vida social por um semestre, quando se está com um aparelho na perna para correção óssea... =(  Um semestre difícil, além de fazer um ano do falecimento da minha vó, eu tinha que ficar deitada 24 horas por dia, todos os dias, levantava algumas vezes mas, era ruim porque, o aparelho pesava muito na minha perna... não doia nem nada, só pesava...
Enfim... Durante esse período de cirurgias, que foram feitas na AACD eu aprendi muita coisa... Na AACD, vi cada situação que é difícil de imaginar da onde aqueles pais tiram tanta força, tanto amor, a ponto de largarem sua vida para cuidarem de seus filhos, os quais possuiam diversas deficiências, entre elas: mentais, físicas (nesse caso de deficiência física, algumas pessoas com a mesma deformidade óssea minha), as duas juntas (física e mental)... Cada vez que entrava e entro na AACD, eu volto em tudo o que passei, como se fosse um filme em minha mente e, percebo que o que eu passei não foi NADA diante dos outros pacientes e, assim agradeço por o meu "problema" ter sido tão pequeno, praticamente insignificante... Sim, "problema" porque, diante dos casos que vi lá, o meu ñ pode, nem deve ser considerado problema...
E hoje em dia cada vez que me deparo com uma situação que acho um problema, eu paro, revejo toda essa história e penso: Caramba, isso não é problema diante de tudo o que você já viu!!! Acorda!!! E, com essa história toda eu cresci na minha forma de pensar e enxergar o mundo...

Espero que tenha feito vcs refletirem com essa história...
E assim termino aqui...
Beijos,
            Carolzinha. S2

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